Nas ondas do rádio, os ritmos se repetem, as melodias redundantes soam e o alvo, ou melhor, o público-alvo é a juventude. Atualmente, as estações de rádio fm não se soltam dos hits de sucessos do hip hop “motherfucker” ou “ love, love, love”. Será esse o estilo musical que o jovem realmente gosta de ouvir? Nas principais estações de Belo Horizonte: Jovem Pan, Mix e 98 fm, é absoluto o domínio desse segmento.
A partir da idéia de que música é gosto individual e particular, claro que não devo crucificar quem é fã dos artistas pop mais tocados. No entanto, com a diversidade cultural existente no país, principalmente no ramo artístico, é um absurdo o fato de que só algumas músicas tenham espaço para divulgação. Pare por um minuto para perceber a diversidade de bandas e estilos diversos que nem ao menos são citados nessas grandes estações.
Seria a visão mercadológica da coisa? Claro! Pois sem a oportunidade de demonstração de estilos experimentais, ou pelo menos diferentes dos tocados insistentemente nas “FM-bate-estaca”, restam o anonimato e o underground para esses nichos musicais. A fórmula de fácil absorção dos grandes hits é um prato cheio para as rádios, que complementam o trabalho das gravadoras mais badaladas. Os refrões são dançantes, fáceis de decorar, repetitivos, além das letras com histórias lineares e com enredo previsível: começo, meio e final feliz.
Isso não significa que os outros estilos musicais sejam refinados e elitizados. No entanto, a questão é a superficialidade da produção dos hits e o desprezo à diversidade musical, cultural, rítmica, etc. Outro fator que chama atenção é o tratamento dado ao ouvinte: consumidor ou objeto. Logo, o comodismo e a reafirmação do senso comum nas artes crescem demasiadamente.
Portanto, na hora de sintonizar sua estação de rádio preferida para curtir uma simples musiquinha, saiba que existe uma trajetória muito bem pensada para o uso do artista tocado. Também se lembre de que a exclusão a outros artistas e a ignorância de estilos musicais são prejudiciais à democracia artística. Tudo isso contribui para um mundo mecânico, previsível e ignorante.